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Tumores Orais

A cavidade oral é um local comum para o desenvolvimento de tumores/neoplasias em cães, representando cerca de 6% das neoplasias de origem maligna que os acometem, ficando atrás apenas dos tumores de pele, tumores mamários e de origem hematopoiética. Morfologicamente estes crescimentos neoplásicos são classificados de acordo com seu tecido de origem, no qual classificam-se em odontogênicos e não odontogênicos, além disso são subdivididos em malignos e benignos.

Dentre as neoplasias malignas orais em cães, de epitélio não odontogênico, a mais frequente é o melanoma, seguido do carcinoma de células escamosas e fibrossarcoma. A neoplasia benigna odontogênica mais observada é o ameloblastoma e a não odontogênica é o fibroma. Em felinos, os carcinomas de células escamosas são os mais comuns, representando 75% das malignas (GIOSO, 2007).

As raças caninas mais predispostas às neoplasias orais são o Pointer, Weimaraner, Boxer, Poodle, Chow Chow, Golden Retriever e Cocker Spaniel. Normalmente, se originam em cães de idade média a avançada, porém não são raros os acometimentos em jovens. Os sinais clínicos do paciente acometido incluem halitose, aumento de volume oral com consequente contorno facial alterado, hemorragia local, dor ao abrir a boca, passagem das patas na boca, sialorreia intensa, disfagia, perda dentária, exoftalmia, tosse, dispneia, descarga nasal, rinite crônica, anorexia, perda de peso ou fratura patológica (da mandíbula ou maxila) por comprometimento ósseo grave.

Segundo Gioso (2007), a evolução clínica das neoplasias orais é dividida em fulminante (quando o aparecimento é súbito, com rápida fase de crescimento), progressiva (contínua piora da doença), estável (quando a neoplasia estabiliza-se em fase de crescimento, sem progressão, com exibição de sintomas) e quiescente (quando em algum estágio os sinais clínicos são imperceptíveis). Quando se consideram tumores orais, os cães machos são mais afetados do que as fêmeas.

Os locais mais acometidos por essas neoplasias são a gengiva, lábio, tonsila, palato e a língua. Alertamos ainda, ao fato de que a localização do crescimento neoplásico influencia do prognóstico ao paciente.

No diagnóstico, os dados referentes a espécie, raça, sexo e idade devem ser observados, pois a probabilidade de ocorrência de algumas neoplasias pode estar associada a uma dessas características. A anamnese específica da cavidade oral e exame físico devem ser minuciosos, abordando fatores como o surgimento da neoplasia, evolução, localização, consistência, tamanho, sensibilidade, presença ou não de áreas de necrose, inserção, coloração, tratamentos anteriores e comprometimento de linfonodos regionais.

Exames radiográficos de crânio são úteis para a avaliação de alterações ósseas. As radiografias intra-orais também podem fornecer informações quanto ao tamanho, forma, marginação, opacidade, posição e deslocamento de estruturas. A realização de exames laboratoriais complementares para avaliação das condições de higidez orgânica do animal também são recomendados. O diagnóstico definitivo não deve ser confirmado apenas com achados clínicos ou radiográficos. Em geral, é prudente a avaliação citológica e histopatológica (por biópsia incisional ou excisional) do tecido para conclusão diagnóstica e melhor decisão do tratamento.

Lembre-se sempre que é fundamental consultar um médico veterinário especialista, o qual dará melhor suporte clínico e cirúrgico ao paciente.

Texto escrito pela Médica Veterinária Patologista Gabriela Fredo - CRMV-RS 12455

 

Bibliografia:

COTRAN, R. S; KUMAR, V; COLLINS, T. Neoplasia. In: ____Patologia Estrutural e Funcional. 6 ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2000. p. 233-241.

GIOSO, M. A. Neoplasia da cavidade oral. In: ____ Odontologia veterinária para o clínico de pequenos animais. 2. ed. São Paulo: Manole, 2007. Cap. 10. p. 91-100.

HOWARD, P. E. Neoplasias maxilares e mandibulares. In: BICHARD, S. J.; SHERDING, R. G. Manual Saunders – Clínica de Pequenos Animais. 2. ed. São Paulo: Roca, 2002. p. 1181-1189. LIPTAK, J. M.; WITHROW, S. J. Cancer of the gastrointestinal tract – Oral Tumors. In: VAIL, D. M.; WITHROW, S. J. Small Animal – Clinical Oncology. 4. ed. Canada: Saunders Elsevier, 2007. p. 455-473.

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